Um Portugal humilde pode ir mais longe

Numa coisa toda a gente está de acordo: até agora, a selecção portuguesa ainda não fez um jogo de encher o olho, daqueles para mais tarde recordar.

 

Nada que me espante. Esta não é a equipa que tinha Figo, Rui Costa, Deco, Maniche, Simão, Nuno Gomes, Pauleta, além de um jovem génio chamado Cristiano Ronaldo.

 

É isso que temos de aceitar: esta não é a melhor seleção de sempre. Entre 2004 e 2006, Portugal tinha um grande grupo de jogadores, que jogavam muito bem e isso não se passa no presente. Sendo assim, a única coisa a que devemos aspirar é ir vencendo, jogo a jogo.

 

Foi por isso que não gostei da postura de Fernando Santos, quando já depois de ter empatado com a Islândia e a Áustria, disse que já avisara a família que só voltava para casa a 11 de Julho, depois da final!

 

Essa bazófia não nos assenta bem. Nunca nos assentou e menos ainda quando a nossa seleção não joga nem domina os adversários para podermos pensar assim.

 

Mas, é preciso reconhecer que Fernando Santos corrigiu o discurso depois de passar a fase de grupos. Confessou que tinha falado muito com os jogadores, pois havia alguns com "excesso de confiança". E nunca se deu como favorito contra a Croácia.

 

Ou seja, foi humilde, tal como os jogadores. E em campo esse estado de espírito concretizou-se. Portugal não se iludiu, pelo contrário, tentou bloquear a Croácia, trabalhou muito e no fim foi feliz.

 

É isso que temos de tentar novamente hoje, é assim que temos de ser contra a Polónia. Humildes e trabalhadores. Ninguém quer ganhar o prémio da "Melhor Seleção de Sempre", ninguém quer armar-se em génio da bola e no fim chorar.

 

Hoje, só queremos passar. Não nos chamem Grécia, mas podem chamar-nos Itália. Os italianos sabem jogar estes torneios curtos. Defendem bem e são venenosos no ataque. Deus queira que hoje ganhemos à italiana! 

publicado por Domingos Amaral às 10:59 | link do post