A Florida da Europa

Nos últimos tempos, vários são os jornais de outros países que têm falado de Portugal como "a nova Florida da Europa".

Ainda ontem, um jornal belga se referia a nós assim, a propósito da possibilidade que este Governo deu aos reformados desses países de não pagarem impostos se tiverem residência por cá.

Não pagam lá, nos seus países, onde trabalharam a vida toda, e de onde recebem a reforma; nem pagam cá, onde nós os recebemos de braços abertos, para que eles comprem casas, apanhem sol, e descansem o resto da sua pacata vida até irem deste mundo para sempre.

Portugal seria assim para a Europa o que a Florida foi para os Estados Unidos, sobretudo durante os anos 70 e 80: uma casa de repouso tranquila.

Uma espécie de lar da 3ª idade europeu, é essa a ideia, e apesar do tom jocoso da minha frase, não é uma má ideia.

Portugal é um país tranquilo, uma espécie de santuário sem grandes problemas políticos, religiosos ou criminais.

Além disso, tem óptimo clima, ameno, muito mais agradável que a chuvosa Bélgica ou o gélido norte da Europa.

Para ajudar, os portugueses são sempre um povo hospitaleiro, agradável aos estrangeiros.

Os portugueses odeiam outros portugueses, sobretudo em Portugal, mas adoram estrangeiros, sobretudo em Portugal.

Um belga na Bélgica é um tipo sem graça nenhuma, mas em Portugal é um mimo de pessoa.

Um francês, em França, é um animal chauvinista, um arrogante cultural.

Mas, logo que põe o seu primeiro pezinho em terras lusas, transforma-se num "monsieur" amável e charmoso, um requintado leitor de Vitor Hugo e Moliére.

E os alemães, esses insuportáveis chatos, organizados até ao tutano, que parecem robots e ainda por cima têm tenebrosas tendências agressivas, além de gostarem de chocrute?

Ora, um alemão, mal aterra em Faro ou na Portela, transforma-se num simpático ser, de bochechas coradas e olhar manso, e muito carinho pelo país que o acolhe.

Portanto, que venham os reformados europeus. É deles que a gente precisa.

E venham também os chineses, os angolanos, e os vistos Gold que se multipliquem.

Por mim, quando mais estrangeiros, melhor.

Velhos ou novos, que venham todos.

Aqui há uns anos éramos a Califórnia, depois houve quem nos quisesse transformar na Irlanda, seguiu-se o modelo da Finlândia, e agora é a Florida.

Por mim, tudo bem. Qualquer desses modelos é bom.

Desde que não queiram que Portugal seja Portugal, está tudo bem. 

publicado por Domingos Amaral às 16:49 | link do post