A luz ao fundo do túnel é um combóio que vem na nossa direção

Nunca, desde que sou gente, soube de tantos a passar um mau bocado.

São amigos, conhecidos, pessoas de quem conhecemos mais uma história dura e sem final feliz.

Homens e mulheres têm cada vez menos dinheiro, os pais andam cada vez mais preocupados com o futuro dos filhos e ninguém sabe o que fazer.

Não me lembro de nada assim. Dizem-me que a seguir à revolução houve um período muito mau. Não havia leite nos supermercados nem nas merceeirias. E quem em 83 também houve fome, bandeiras negras.

Mas, tenho dúvidas que tenha sido tão grave. As pessoas, no passado recente, não tinham dívidas. Tinham contas para pagar, e às vezes faltavam bens essenciais, mas não havia dívidas.

Nem o fisco era tão voraz. Agora, comem-nos por todos os lados. As dívidas permanecem as mesmas, mas há cada vez menos rendimento disponível.

São histórias cada vez mais complicadas, cada vez mais tristes, cada vez mais desmoralizantes.

Mesmo os que têm cursos superiores, que estudaram, que acreditaram, já não estão imunes.

Sim, há um Portugal que continua a passar ao lado deste flagelo, desta doença lenta que vai consumindo tantos. Esse Portugal continua bem, mas é cada vez mais pequeno e não me parece que tenha força para rebocar o país para fora deste lamaçal.

O ministro Vítor Gaspar mostrou-se satisfeito porque a receita do Estado está a crescer. Pudera, não havia ela de crescer quando o IRS que pagamos é 30 por cento mais alto que no ano passado!

A receita dele está a crescer, mas a nossa não pára de descer.

Ou a Europa acorda, ou a luz que alguns já vêm ao fundo do túnel é um combóio a vir na nossa direção... 

publicado por Domingos Amaral às 16:30 | link do post