"The Walking Dead" e os nossos "mortos-vivos"

Passei a terça-feira de Carnaval a ver a série de "The Walking Dead", e é uma coisa bastante viciante. Passa na Fox e na quarta-feira recomeçou a 3ª temporada, para alegria dos milhões de fãs por esse mundo fora.

A ideia dos "mortos-vivos" não é propriamente original no cinema, nem em televisão, mas mesmo assim a série é muito boa. Uma espécie de praga de "mortos-vivos" espalha-se pelo mundo, e os humanos são atacados por hordas de seres que caminham devagar, e os tentam matar, à dentada.

O pior é que se um humano for mordido, ou se morrer por qualquer outra razão, transforma-se de imediato num "morto-vivo", o que obriga os outros humanos a matá-lo, com um tiro ou uma catanada na cabeça, pois só assim os "mortos-vivos" morrem mesmo.

Este cenário dantesco e apocalíptico é o pano de fundo da série, mas o importante não são os "mortos-vivos", mas os humanos, que tentam sobreviver em grupo, fugindo dos monstros que os perseguem. E, no grupo de humanos, há os bons e os maus, os que aguentam e os que não aguentam, os que traiem e os que são leais.

Na terceira temporada, há também uma pequena cidade, que conseguiu construir umas muralhas para se defender dos "mortos-vivos", e onde existe um Governador, uma espécie de político tirano, que é muito mau, e que não quer humanos a fazerem-lhe concorrência. 

É evidente que "The Walking Dead" é uma série de terror, e quem não gosta do género dificilmente gostará da série, mas quem gosta fica normalmente um fã fiel e atento. Por vezes, é difícil convencer as meninas da família para verem a série, mas os homens - eu e o meu filho - lá conseguem e ficam colados, como que viciados neste mundo aterrador de mosntros sangrentos.

Na verdade, a série não é sobre isso, mas sim sobre como podem os humanos sobreviver em situações difíceis, e o que elas mudam o carater das pessoas. A coragem, a resistência, a confiança, a lealdade, a mentira, o egoísmo humano, são os ingredientes principais da série, para além dos efeitos especiais de terror e da excelente caracterização.

De certa forma, "The Walking Dead" é também uma espécie de estranha metáfora sobre um mundo que está submetido a grandes calamidades. Às vezes, tenho a sensação de que a Grécia, e também um pouco Portugal, já estão num mundo de "mortos-vivos". Somos uma espécie de zombies económicos, todos as tentar sobreviver, mas nem sempre é fácil, pois há sempre uns monstros que nos dão umas dentadas nos rendimentos...

publicado por Domingos Amaral às 12:00 | link do post