O CDS e a coluna vertebral

O CDS passou os últimos meses a dizer que não aceitava mais aumentos de impostos. O CDS passou os últimos meses a dizer que a "carga fiscal" sobre os portugueses tinha passado para além dos limites. O CDS passou os últimos meses a dizer que as famílias portuguesas não podiam aceitar mais sacrifícios fiscais. E agora, o que vai o CDS fazer, sabendo que o governo anunciou a subida das contribuições para a segurança social, idêntica a uma subida de impostos, e anunciou também que vai subir as taxas médias do IRS? Sim, o CDS vai trair-se a si próprio e às suas convições e engolir um sapo vivo? E quem é que depois vai acreditar no CDS? Paulo Portas tem por estes dias o seu momento da verdade: ou vende a alma ao Diabo e aceita ficar no governo traindo os seus princípios e as suas convições; ou impõe como condições para ficar a retirada destas impopulares medidas, e caso Passos Coelho não aceite retirá-las, o CDS deve sair do governo e abandonar a coligação. É nos momentos difíceis que se vê o carater e a fibra dos homens, e este é um desses momentos. 

publicado por Domingos Amaral às 12:10 | link do post