A Ilha dos Falidos

Tornou-se um dos destinos mais populares deste verão, mais que as ilhas Virgens, Barbados, as Maldivas ou Bora Bora. A Ilha dos Falidos é um resort fantástico, obviamente com tudo incluído, que tem a particularidade de, como o nome indica, só aceitar clientes falidos. Este ano, por exemplo, só aceitam gregos, irlandeses, portugueses e cipriotas. Já há reservas de clientes espanhóis e italianos, mas ainda não estão totalmente confirmadas.

A política de marcações tem critérios apertadíssimos: só entra na Ilha dos Falidos quem esteja ou em clara falência técnica ou que para lá caminhe, apresentando-se insolvente. Quanto maiores as dívidas, melhor o alojamento. Por exemplo, quem ainda tenha algum dinheiro no banco, só tem direito a um quarto normal, sem vista de mar. Quem tenha uma dívida grande, tem direito a suíte de luxo, com vista; e quem esteja desempregado tem direito a bungalow com acesso direto à praia.

Na Ilha dos Falidos só podem entrar milionários falidos, directores de bancos falidos, empresários falidos, trabalhadores falidos e pais falidos, que logicamente podem levar as suas crianças a custo zero. Há também pacotes especiais para clientes especiais. Funcionários públicos de países falidos, que tenham tido quebras salariais fortes ou a quem tenham tirado os subsídios de férias e de Natal, têm direito a descontos especiais que podem ir até 110 por cento, além de poderem usufruir de camas extra-large, champanhe no quarto e snorkeling grátis. E se vierem de países que têm dívidas públicas impossíveis de pagar, têm direito a vouchers para actividades como ski em bananas e mergulho em apneia. Todas as noites há um jantar de gala, na praia, com tochas a arder e música ambiente, onde o menu do buffet é variado e depois se dança o hino do resort, a "Lambada dos Falidos", dedicada às Merkels e troikas deste mundo.

Diz quem já lá esteve que as noites são muito animadas e que os gregos são sempre os mais bem dispostos, embora os portugueses também não fiquem atrás, e contem as melhores anedotas que, é claro, são sobre alemães.

publicado por Domingos Amaral às 16:04 | link do post